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Cronologia


[registo específico]
Terça-feira, 29 de Maio de 1900Início da Guerra dos Boxers na China

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Dois missionários britânicos são assaltados em Pequim, morrendo um deles. Anteriormente, já se tinham verificado tumultos em diversas cidades chinesas, de que resultou a morte de numerosos cristãos chineses. As embaixadas ocidentais apresentam um utimatum, dando um prazo de 24 horas para o governo chinês dissolver a "Sociedade dos Boxers", designação depreciativa para a I Ho Chuan ou Sociedade dos Harmoniosos Punhos Justiceiros, considerada responsável pelo crescente clima de hostilidade contra os ocidentais e, em especial, contra os missionários cristãos e os chineses convertidos. Esta Sociedade, que já existia desde o século XVIII, corporizava o ódio aos "diabos estrangeiros", responsabilizados pela destruição da cultura tradicional chinesa e pelo progressivo domínio económico da China pelas potências ocidentais, que faziam do comércio do ópio uma actividade altamente lucrativa e, ao mesmo tempo, um instrumento de dependência de toda a sociedade chinesa. Por outro lado, a fragilidade da dinastia manchu – que seria derrubada onze anos depois com a implantação da República por Sun Yat-sen – estava bem demonstrada com as sucessivas humilhações sofridas (derrota frente ao Japão entre 1894 e 1895, ocupação pela Alemanha, pela Inglaterra e pela França de vários portos, cruciais para o comércio do ópio, arrendamento forçado de Port Arthur e Darien pela Rússia, etc.), ao mesmo tempo que crescia a fome e o desemprego em todo o Império do Meio. Esta situação facilitou a ambiguidade da Corte Imperial, que primeiro reprimiu e, depois, incentivou os ataques desencadeados pelos Boxers contra os estrangeiros e, em especial, tentando limitar o tráfico do ópio, que já custara à China a imposição de diversos tratados injustos, designadamente o que consagrara a cedência de Hong Kong aos britânicos em 29 de Agosto de 1842, assim como a legalização do comércio do ópio e a permissão de propaganda religiosa cristã em todo o território chinês. No dia 31 de Maio, um destacamento militar de pouco mais de 300 homens (da Alemanha, Áustria-Hungria, Estados Unidos da América, França, Inglaterra, Itália, Japão e Rússia) avançaram sobre Pequim, destruindo facilmente a resistência das tropas chinesas e ocuparam mesmo a Cidade Proibida. A 9 de Junho, é atacada e incendiada a pista de corridas dos estrangeiros em Pequim, originando o protesto dos embaixadores ocidentais e a chamada de tropas estacionadas nas zonas costeiras. No dia seguinte, o bairro das embaixadas está praticamente isolado, com a linha de telégrafo para Tientsin cortada e a artilharia chinesa cercando o bairro, ao mesmo tempo que é nomeado o principe Tuan, aliado dos Boxers, para Ministro das Relações Exteriores. A onze, o conselheiro da embaixada japonesa, Sugiyama, é assassinado quando saíu de Pequim para entrar em contacto com as tropas ocidentais que marchavam sobre a cidade (a coluna Seymour). A 16 de Junho, os ocidentais e os chineses convertidos ao cristianismo refugiam-se no bairro das Embaixadas e na Catedral Pei Tang, onde o bispo Favier se encontra protegido por uma força de marinheiros franceses e italianos. Os Boxers incendeiam largas áreas da cidade, isolando ainda mais os súbditos ocidentais e as representações diplomáticas. A 19 de Junho, o Ministério das Relações Exteriores chinês declara não garantir a segurança das embaixadas ocidentais, dando 24 horas para a sua evacuação para Tientsin. Os diplomatas ocidentais recusam e tentam entrar em contacto com as autoridades chinesas, saindo no dia seguinte o Embaixador alemão, barão von Ketteler, para procurar encontrar-se pessoalmente com o ministro, sendo morto por um soldado imperial. A 14 de Julho, uma expedição internacional, que incluía forças americanas e japonesas, tomou a cidade de Tientsin, na China. Os Estados Unidos da América reafirmam publicamente a política de «porta aberta» na China. Perante o avanço das tropas estrangeiras na libertação das suas representações em Pequim, que durou cerca de três meses, o exército chinês acabou por ceder. Um mês depois, uma força internacional liberta as embaixadas em Pequim. A 22 de Dezembro, as potências ocidentais (Alemanha, Áustria-Hungria, Bélgica, Espanha, Estados Unidos da América, Grã-Bretanha, Holanda e Itália), assim como o Japão e a Rússia, apresentam uma nota à China impondo as condições para preservar a sua "integridade territorial" – que são aceites pelo decreto do Imperador da China de 27 de Dezembro. A Paz ou Protocolo de Pequim, assinada em 7 de Setembro de 1901, põs fim à revolta boxer, obrigando a China a pagar avultadas indemnizações às grandes potências (cerca de 330 milhões de dólares em ouro), impondo a soberania estrangeira em zonas da capital, entregando numerosos portos à exploração ocidental, abrindo novos tratados comerciais de "porta aberta" com as potências signatárias e proibindo a importação de armamento. A cedência chinesa acentuou a humilhação sentida, abrindo, no entanto, caminho à aplicação de reformas na administração pública, no ensino e nas forças armadas, que haviam sido iniciadas em 1898 por K'ang Yu-wei ("Os 100 Dias de Reforma").

ano: 1900 | tema: Conflitos bélicos e activ.mil.
palavras-chave: Boxers Sun Yat-sen Hong Kong 

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