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Cronologia


[registo específico]
Terça-feira, 4 de Outubro de 1910Suicídio de Cândido dos Reis

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O almirante Cândido dos Reis suicida-se na madrugada do dia 4 após ter considerado perdida a revolução, de que era o principal responsável militar e cujos primeiros tiros já se ouviam. Após a reunião dos implicados militares na Rua da Esperança, Cândido dos Reis tomara a decisão de não adiar, mais uma vez, a insurreição. Passa pela sede do Directório, no Largo de S. Carlos, e dirige-se a sua casa, na Rua Maria, no Bairro Andrade, para se fardar. Aí vai ter com ele o jovem tenente Hélder Ribeiro, que o acompanha até ao Cais da Viscondessa, onde haviam de tomar um dos dois pequeno vapores (o "Chitre" e o "Dinorah") que os conduziria para um dos cruzadores fundeados no Tejo. Depois de uma tentativa falhada de pôr em funcionamento uma das embarcações, Cândido dos Reis saltou para bordo de outro vapor, "onde logo despiu o sobretudo e pôs na cabeça o boné agaloado", acompanhado por diversos outros oficiais da Armada. Foi então que surgiu a notícia de que "Está tudo perdido, tudo perdido!... Infantaria 16 saíu para a rua e está a fuzilar o povo que foi assaltar o quartel…". Desesperado, Cândido dos Reis volta a vestir o sobretudo e o chapéu de coco e ordena aos oficiais da Armada que o acompanham que "vão para suas casas". Dirige-se aos Banhos de S. Paulo, onde estava montado o quartel general dos insurrectos, exclamando "Já não há portugueses!". Interpelado por Afonso Costa, que o julgava a bordo dos navios sublevados, respondeu que tinha perdido a esperança no movimento "e não sei o que hei-de fazer", acrescentando que tinha o pressentimento "de que está tudo perdido". Abandona o local no automóvel do negociante de antiguidades da "Liquidadora" e, a caminho da Rua da Estefânia, onde decide refugiar-se em casa das irmãs, vê as movimentações da cavalaria da Guarda Municipal - "Estranho isto. Em vez de agitação revolucionária, só se vê polícias e tropas de prevenção". E conclui: "Para uma esquadra, não! Ah! Isso, não!...". Vem a aparecer morto na Azinhaga das Freiras. Suicídio ou, como se suspeitou, assassínio? O seu cadáver deu entrada na morgue pelas 8 da manhã. O certo é que, vencido Cândido dos Reis, dos oficiais que o acompanhavam, só Machado Santos se manterá firme na Rotunda.

ano: 1910 | tema: Vida Política
palavras-chave: Cândido dos Reis Implantação da República Hélder Ribeiro Teixeira de Sousa 

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