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Cronologia


[registo específico]
Quinta-feira, 1 de Dezembro de 1910Inauguração da Bandeira Nacional republicana

00757


Inauguração da Bandeira Nacional republicana, segundo o modelo de Columbano Bordalo Pinheiro. O Governo Provisório encarregou a Câmara Municipal de Lisboa de gizar o programa oficial dos festejos. Esta, por sua vez, delegou este encargo numa comissão, presidida pelo arquitecto Ventura Terra. O programa estava dividido em quatro partes: o hasteamento da bandeira nacional junto ao monumento da Liberdade na praça dos Restauradores; a homenagem a Cândido dos Reis; a inauguração das placas da Avenida da República e da Avenida Cinco de Outubro; e, ainda, o cortejo cívico. A dia 30 de Novembro, o capitão de fragata Francisco Assis Camilo entregou ao Presidente da Câmara Municipal o primeiro exemplar da bandeira nacional, feita nas oficinas da Cordoaria Nacional. A bandeira nacional é entendida como "(...) um translado arqueológico e étnico perfeito; há de resumir a vontade nacional. Tem de exprimir as ideias de independência, de domínio, de constituição social, de regime político. Tem de ser ao mesmo tempo a evocação lendária do passado, a imagem fiel do presente e a figuração vaga do futuro." O relatório da comissão da bandeira explica, ainda, as razões da escolha das cores da bandeira. Começam por analisar as cores e os símbolos da monarquia, o branco e o azul. "O branco, não há dúvida que deve, em todas as hipóteses, ter representação na nova bandeira. Ele simboliza, como tão expressivamente o disse Guerra Junqueiro, «a inocência, a candura unânime, a pureza virgem»; e a alma portuguesa é, no fundo, sonhadora e ingénua. Além disso, para acrescentar a esta feição emotiva, a considerações de pura ordem sentimental, temos ainda o argumento da tradição, temos a razão histórica." Quanto ao azul consideram-na uma cor condenada, histórica e moralmente. Muito embora remeta para o céu e o mar, "(...) a cor azul nada mais de notável de basilar, de característico ou necessário representa perante a nossa tradição ou a nossa história." A sua adopção não simbolizara um movimento heróico de revolta, aliando à ideia de Pátria o culto de Senhora da Conceição. Ou seja, era uma homenagem à Padroeira. O vermelho surge agora com destaque na nova bandeira nacional, crendo que "(...) a sua tonalidade forte e alacre seria a mais pura representação da nossa força." "O vermelho é a cor combativa, quente, viril por experiência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre, a mais própria para exprimir a globulinea riqueza de uma nação que desperta. Lembra o sangue e incita à vitória." Na bandeira que se queria nacional a cor verde faz a sua aparição. "Quanto à cor verde – a cor que, segundo Augusto Comte «mais convém aos homens do porvir», - parecerá que ela não tem ainda raízes tradicionais que bastantemente a consagrem perante a consciência nacional. A sua adopção como divisa de uma legítima e sagrada aspiração patriótica, entre nos, data de há vinte anos." O verde foi uma das cores que preparou e consagrou a revolução e, por isso, deve ter um lugar de destaque, substituindo o branco. "(...) As duas grandes cores fundamentais da bandeira da nova República devem ser, bipartindo-a no sentido vertical, o vermelho-escarlate e o verde-mar (...)". Para além das cores era necessário determinar os "emblemas" que figurariam na bandeira. Em primeiro lugar, a esfera armilar, o "(...) padrão eterno do nosso génio aventureiro (...), que deve ser manuelina, em amarelo ouro e ocupando o centro da bandeira. Sobre a esfera armilar deve estar outro símbolo matricial, o escudo branco com as quinas azuis, escolhido "(...) porque perpetua e consagra esse outro milagre humano de positiva bravura, tenacidade, diplomacia e audácia, que conseguiu atar os primeiros elos da afirmação social e política da lusa nacionalidade." E, ligados às quinas, os sete castelos, símbolos de independência e força.

ano: 1910 | tema: Vida Política
palavras-chave: Bandeira Nacional Columbano Bordalo Pinheiro 

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