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Cronologia


[registo específico]
Sábado 14 de Março de 1914Congresso Operário de Tomar

039134


Realiza-se em Tomar o Congresso Operário, que decorrerá de 14 a 17 de Março. A ideia de realização de um congresso tinha sido lançada pela federação das associações operárias de Lisboa (socialista). A sua comissão organizadora tinha como secretário Mário Nogueira. Nesta assembleia foi criada a União Operária Nacional (UON) que substitui a Federação Operária. Trata-se da "fusão das duas correntes (reformista e sindicalista)", e marcaria um importante avanço a nível organizativo. Muito embora os sindicalistas sejam elementos muito activos e a ganhar apoios, este congresso ainda se pauta pela tentativa de manutenção de uma frente unida. O congresso de Tomar esteve logo na primeira sessão à beira de uma ruptura, causada pela questão dos 7 delegados socialistas que não eram assalariados nem sindicalizados. Resolvida esta divergência, pela atribuição de voto deliberativo àqueles delegados, uma outra polémica surge em torno da discussão dos Estatutos, nomeadamente do artigo 32.º, em que se estatuía que se algum membro do Conselho Central fosse investido de um mandato político, teria que renunciar ao seu lugar neste órgão operário. Depois de uma acesa discussão, a sua redacção definitiva acabou por incorporar o alvitre socialista, ficando nestes termos: "Uma vez que qualquer membro do Conselho Central seja investido dum mandato político da confiança do Governo não poderá fazer parte deste mesmo Conselho". A inclusão da expressão "da confiança do Governo" representa uma cedência ao reformismo e àqueles que defendiam a acção eleitoral e parlamentar. Os sindicalistas de matriz anarquista ou revolucionária negavam qualquer relação de proximidade com o poder político. No parecer da comissão que tratou este assunto ficou registada a tentativa de harmonizar vontades, para não dar um "espectáculo fratricida". Tomar significou talvez a última tentativa de entendimento entre os "reformistas" e os "revolucionários" , apesar do predomínio sindicalista, para obstar à divisão das forças e à "confusão" organizativa. Os socialistas partilharam a mesma ideia de que neste congresso se evitou o rompimento entre as facções. Acrescentando, no entanto, que esta unidade pouco durou, por culpa da irredutibilidade sindicalista . Face à inoperância das estruturas socialistas, os sindicalistas, nos anos de crescendo da sua influência, desde 1909, tinham duplicado as organizações que já existiam no terreno, criando novas estruturas onde já existiam outras dominadas pelos socialistas. Em Lisboa, por exemplo, continuava a existir a Federação Operária, de orientação socialista, a par da recém-criada Casa Sindical, de feição sindicalista. Do ponto de vista da sua estrutura interna, a União Operária Nacional mantinha a autonomia financeira e organizativa das suas estruturas. Tanto a organização do Sul como a do Norte tinham a mesma constituição orgânica, sendo cada secção formada pelo Conselho Central (CC) e pela Comissão Administrativa (CA), formando-se mais tarde, em 1918, um conselho jurídico, directamente dependente do CC, funcionando em Lisboa mas abrangendo toda a região Sul.

ano: 1914 | tema: Movimento Operário e Social
palavras-chave: Congresso Tomar Federação Operária UON Sindicalismo 

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