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Cronologia


[registo específico]
Terça-feira, 4 de Outubro de 1910"A Lucta" interroga "O que há?"

040986


O jornal "A Lucta", dirigido por Brito Camacho publica na segunda página, sob o título "A ordem pública / Tropas na rua / O que há?", um texto do seu director em que se interroga, "com a maior reserva" sobre as notícias "de ter Infantaria 16 saído do quartel, indo juntar-se aos marinheiros desembarcados dos navios", ao mesmo tempo que dá notícia de detonações "que mais nos parecem de revólver ou de pistola do que de qualquer outra arma". Este texto valeu-lhe fortes suspeitas de quantos, como Afonso Costa, a viram como uma habilidade, de quem procurava eximir-se a responsabilidades, simulando ignorar que se tratava do movimento revolucionário republicano. Brito Camacho vai ainda mais longe na postura que assumiu nesse dia 4 de Outubro, tendo escrito e mandado imprimir diversas proclamações de uma inexistente "Junta Revolucionária", em que, designadamente, se nega a morte do vice-almirante Cândido dos Reis e se afirma que ele "está à frente das tropas de marinha" e se diz que o rei teria fugido e, mais tarde, que se teria refugiado na Legação da Inglaterra, o que consumaria a sua abdicação. Numa resposta dada a Alexandre Braga, na sessão da Câmara dos Deputados de 22 de Janeiro de 1914, que aí evocou aquela sua atitude, Brito Camacho afirma que "no momento em que a maior parte julgava tudo perdido, entendi eu que convinha dar a impressão de que o partido republicano não empenhara um esforço decisivo, não tentara um verdadeiro movimento revolucionário, e porque não houvera lutas, e não houvera derrota, nós ficaríamos habilitados a renovar, em curto prazo, aproveitando a organização feita" e adianta que, se ninguém o viu nos momentos seguintes à proclamação da República, foi porque tido ido repousar "de duas longas noites de pesadelo acordado".

ano: 1910 | tema: Vida Política
palavras-chave: Brito Camacho Afonso Costa 

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